A música pode ir além do entretenimento. Em Mato Grosso, ela virou ferramenta de cuidado clínico nas mãos do musicoterapeuta José Carlos Assunção Dias, o Zé Cantor. Formado em Portugal, o cuiabano por adoção aplica a música com método e propósito — seja em hospitais, escolas ou empresas.
“A música não é milagre, é estímulo. Quando aplicada com critério, ela aciona memória afetiva, organiza a respiração e ajuda a equipe a conduzir o cuidado”, explica.
Quando a canção vira tratamento
A prática segue protocolos clínicos claros: começa com a escuta do paciente e da equipe, passa pela escolha da canção e termina com a avaliação dos resultados. Tudo é planejado conforme o estado emocional e clínico da pessoa.
Os efeitos são visíveis. Pacientes agitados se acalmam, idosos colaboram mais com os cuidados e há relatos de pessoas em coma que reconheceram a voz de Zé ao despertar. “Não é show, é cuidado com método”, afirma.
Da farda ao violão
Nascido em Belém e ex-militar, Zé chegou a Cuiabá aos 20 anos. Passou por colégios salesianos e atuou em gestão e pastoral, sem nunca deixar a música. Essa vivência explica a facilidade em circular entre palco, hospital e empresa.
“Mesmo em funções de liderança, eu nunca abandonei a música. Ela sempre serviu para abrir conversas difíceis e reorganizar o ambiente”, relembra.
Evidências que tocam o cérebro
Estudos da Universidade McGill (Canadá) e da UFG mostram que intervenções musicais reduzem dor e ansiedade quando ritmo e respiração estão alinhados. Já pesquisas da Anglia Ruskin (Reino Unido) apontam benefícios em quadros de demência, com menor agitação e sofrimento.
Zé reforça que a musicoterapia é uma prática técnica e integrada à equipe multiprofissional, diferente de cantar por cantar. “A diferença entre cantar no corredor e fazer musicoterapia está no método e no propósito”, resume.
Do hospital ao palco
A mesma precisão chega ao palco. No Coco Bambu do Estação Shopping, onde se apresenta de segunda a sexta a partir das 18h, Zé interpreta de MPB a lambadão rearmonizado, além de repertórios religiosos sob encomenda.
A lógica é a mesma: criar vínculo emocional. “Se o paciente está acordado, você canta o que ele quer ouvir. Ele se reconhece, regula a emoção e participa. No palco, troque paciente por público e a equação continua funcionando.”
Música também para empresas
Fora do ambiente hospitalar, Zé leva a música ao mundo corporativo. Ele realiza encontros breves de escuta ativa e regulação emocional, voltados para melhorar o clima entre equipes e abrir conversas difíceis.
O protocolo é simples, mas eficiente: um a dois minutos de silêncio guiado, uma canção alinhada ao objetivo do dia e dois combinados operacionais. “Cinco minutos de silêncio e a canção certa podem mudar como as pessoas batem o ponto às 18h”, diz.
Serviço
Contato: (65) 9 8160-4134 •













