Pesquisar
Close this search box.
MEMÓRIA URBANA

Com ajuda da IA, página no Instagram dá cor e movimento ao passado de Cuiabá

Iniciativa inova ao apostar na mistura de nostalgia e tecnologia para criar experiências visuais imersivas e com grande potencial educativo
Rua Pedro Celestino no ano de 1910 em foto publicada por IA em Cuiabá.

publicidade

Cuiabá mudou muito ao longo dos séculos, mas sem dúvidas guarda memórias que seguem vivas na cabeça e no coração de seus moradores. Fato que ajuda a explicar o sucesso de páginas nas redes sociais que celebram o passado da cidade. Entre elas, destaca-se a “Cuiabá das Antigas”, criada pelo jornalista Marcy Monteiro. Impossível esquecer também o grupo no Facebook que há muitos anos divulga a “Cuiabá de Antigamente”. Mas agora, uma nova conta no Instagram propõe um olhar diferente sobre esse passado.

A novidade é o uso da inteligência artificial. Daí o nome da página: I.A em Cuiabá. Criada por Jefferson Silveira, de 45 anos, a proposta colore imagens antigas, anima cenas e produz vídeos com base em registros históricos. Assim, o que era apenas uma foto estática, muitas vezes em preto e branco, passa a ganhar cor, textura e vida. Em alguns casos, as postagens lembram cenas de cinema, como se a cidade antiga tivesse sido filmada em outro tempo.

Segundo Jefferson, a paixão por Cuiabá e por sua história começou cedo. Formado em comunicação e marketing, ele também atua na área de geotecnologia  o que o aproximou das possibilidades abertas pela inteligência artificial.

Leia Também:  Em meio a controvérsias, Karla Sofía Gascón pede ajuda a divindades budistas

“Desde adolescente, gosto de restaurar fotos antigas”, conta. “Com o avanço das ferramentas de IA, percebi que era possível ir além: não só restaurar, mas recriar cenas e resgatar momentos da cidade que quase desapareceram do nosso imaginário. A ideia da página nasceu desse desejo de compartilhar essas memórias com outras pessoas”, conta.

Quem passa pelos stories, por exemplo, pode se deparar com um vídeo curto mostrando a movimentação da antiga Praça Alencastro, com pessoas caminhando, carros passando, árvores balançando. Tudo isso recriado com ajuda da tecnologia. É como se o internauta estivesse assistindo a uma memória nunca vista, mas que, curiosamente, é familiar. Esses efeitos não substituem a realidade, obviamente, mas ajudam a criar uma ponte entre memória e imaginação.

Imagem da Boate e Balneário Sayonara publicada na página IA em Cuiabá

Ao misturar saudosismo, história e inteligência artificial, a página se coloca numa interseção rara: entre o museu e a ficção, entre a lembrança e a imaginação. Em vez de apenas arquivar o que passou, ela brinca com a ideia de que a memória também pode ser inventada.

Leia Também:  Museu do Morro da Caixa D’Água Velha recebe exposição de Antônio Vieira

“É um resgate visual da memória cuiabana e também tem um lado afetivo, quase poético. Reconectar as pessoas com a cidade do passado desperta emoções, lembranças e reflexões”, explica.

As reações do público confirmam esse impacto. “Recebo mensagens emocionadas de pessoas que mostram as imagens para os filhos ou lembram de histórias da família. Alguns dizem: ‘parece que voltei no tempo’”, conta Jefferson.

Esse uso criativo da tecnologia transforma a experiência do público e há ainda um potencial educativo, como nas propostas anteriores. Ao revitalizar imagens antigas, a página também convida os seguidores a se interessarem mais pela história da cidade e se torna uma ferramenta do presente entender e sentir o passado de forma mais profunda. Além do Instagram, ele já planeja os próximos passos: ampliar o acervo, criar exposições interativas, registrar histórias de moradores antigos e desenvolver materiais educativos em parceria com escolas e museus.

“A união entre tecnologia e história tem um potencial enorme”, acredita.

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade