Cuiabá mudou muito ao longo dos séculos, mas sem dúvidas guarda memórias que seguem vivas na cabeça e no coração de seus moradores. Fato que ajuda a explicar o sucesso de páginas nas redes sociais que celebram o passado da cidade. Entre elas, destaca-se a “Cuiabá das Antigas”, criada pelo jornalista Marcy Monteiro. Impossível esquecer também o grupo no Facebook que há muitos anos divulga a “Cuiabá de Antigamente”. Mas agora, uma nova conta no Instagram propõe um olhar diferente sobre esse passado.
A novidade é o uso da inteligência artificial. Daí o nome da página: I.A em Cuiabá. Criada por Jefferson Silveira, de 45 anos, a proposta colore imagens antigas, anima cenas e produz vídeos com base em registros históricos. Assim, o que era apenas uma foto estática, muitas vezes em preto e branco, passa a ganhar cor, textura e vida. Em alguns casos, as postagens lembram cenas de cinema, como se a cidade antiga tivesse sido filmada em outro tempo.
Segundo Jefferson, a paixão por Cuiabá e por sua história começou cedo. Formado em comunicação e marketing, ele também atua na área de geotecnologia o que o aproximou das possibilidades abertas pela inteligência artificial.
“Desde adolescente, gosto de restaurar fotos antigas”, conta. “Com o avanço das ferramentas de IA, percebi que era possível ir além: não só restaurar, mas recriar cenas e resgatar momentos da cidade que quase desapareceram do nosso imaginário. A ideia da página nasceu desse desejo de compartilhar essas memórias com outras pessoas”, conta.
Quem passa pelos stories, por exemplo, pode se deparar com um vídeo curto mostrando a movimentação da antiga Praça Alencastro, com pessoas caminhando, carros passando, árvores balançando. Tudo isso recriado com ajuda da tecnologia. É como se o internauta estivesse assistindo a uma memória nunca vista, mas que, curiosamente, é familiar. Esses efeitos não substituem a realidade, obviamente, mas ajudam a criar uma ponte entre memória e imaginação.

Ao misturar saudosismo, história e inteligência artificial, a página se coloca numa interseção rara: entre o museu e a ficção, entre a lembrança e a imaginação. Em vez de apenas arquivar o que passou, ela brinca com a ideia de que a memória também pode ser inventada.
“É um resgate visual da memória cuiabana e também tem um lado afetivo, quase poético. Reconectar as pessoas com a cidade do passado desperta emoções, lembranças e reflexões”, explica.
As reações do público confirmam esse impacto. “Recebo mensagens emocionadas de pessoas que mostram as imagens para os filhos ou lembram de histórias da família. Alguns dizem: ‘parece que voltei no tempo’”, conta Jefferson.
Esse uso criativo da tecnologia transforma a experiência do público e há ainda um potencial educativo, como nas propostas anteriores. Ao revitalizar imagens antigas, a página também convida os seguidores a se interessarem mais pela história da cidade e se torna uma ferramenta do presente entender e sentir o passado de forma mais profunda. Além do Instagram, ele já planeja os próximos passos: ampliar o acervo, criar exposições interativas, registrar histórias de moradores antigos e desenvolver materiais educativos em parceria com escolas e museus.
“A união entre tecnologia e história tem um potencial enorme”, acredita.














